terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A escola de malfeitores...

Muitas são as frases de eternos pilares da nossa história, frases de extrema sabedoria ou de extrema presença de espírito...
São citações que descrevem perfeitamente como devemos fazer e como não temos feito.
Grandes personalidades, que deram o exemplo de vida digna, honrada, e chegaram a determinada época de suas existências, colhendo frutos da experiência vivida e de visões positivas até mesmo depois de enormes dissabores.
Na esteira do tempo ícones vieram e se foram...uns heroicamente, outros se entregaram após lutas e lutas ao seu maior rival...as próprias fraquezas e sucumbiram a si mesmos...
Como bezerros dourados, olhávamos nossos ídolos, como tb olhamos nossos pais.
Eles despertaram o nosso amor, a nossa admiração, a nossa alegria, nossa compaixão, e sentimentos também nada nobres.
Nossos ídolos na nossa infância ou juventude, nos incutiam manias, copíavamos os trejeitos, as falas, roupas e nos vestíamos de sua personalidade.
A importância de uma infância bem vivida, de uma vida equilibrada entre o ilusório e o real era tênue, assim como são nossas lembranças daquela nossa época.
A influência de qualquer tipo de personagem, seja ele representante do bem ou do mal, nos põe à prova um caráter que ainda não estava completamente construído.
Daí a importância do que vemos e vivenciamos. A importância do  controle da exposição de nossos jovens a toda sorte de conteúdos que apostam até mesmo em tecnologias modernas para burlar as barreiras iniciais de nossa mente, e transpassar o nosso crivo que discerne o bem do mal.
O conteúdo banal e pornográfico, o conteúdo consumista, o conteúdo manipulador de massas, delicia-se escorregando entre as redes mundiais das mídias visuais e sonoras.
O controle da opinião, do modo de vida de uma população, do seu comportamento mais íntimo, já não é tão fictício assim.
É um fato até mesmo que corriqueiro escolher entre uma técnica e outra de como direcionar alguém para o sucesso pessoal, ou como manipular massas para o precipício.
O alcóol, as drogas, ajudam a abrir, ou melhor escancarar brechas na nossa mente, para uma invasão permissiva de moldes de comportamento, opiniões e valores implantados estrategicamente no interior mais profundo das nossas mentes.
Antes...quando pequeninos, nossos pais impunham nossos horários, decidiam sobre nossos programas favoritos, nossas companhias, nossas vestes, nossa alimentação e etc.
Isso poderia ser de certa forma entendido como uma repressão à nossa expressão. Um controle aos nossos quereres, nossos desejos nem tão bem sob controle assim...de certa forma..ou de forma exatamente assim, nossos pais e pessoas do nosso convívio, e até mesmo políticas governamentais, impunham o que hoje conhecemos como limites.
Nossos cuidadores nos vigiavam de forma que navegávamos em mar tranquilo.
Lógico que em todas as famílias não era bem assim...sempre tínhamos conhecimento daquela amiga...ou amigo..que de certa forma julgávamos que tinham um comportamento um pouco mais à frente do nosso tempo e não tão raro assim, dava demonstrações de desrepeito às regras da época.
Os pais destas crianças, na forma de educar talvez não tenham podado tanto o comportamento desses filhos.....daí pressupor que não eram reprimidos e teriam desenvolvido uma mentalidade mais aguçada....livre de preconceitos e traumas, além de um comportamento mais desprendido
De certa forma evidenciavam a existência de limites mais amplos que lhes fora impostos na infância ou adolescência.

O que dizer de hoje...? Será que a modernidade não tropeçou nas próprias pernas?
O que pensar de jovens e crianças que apresentam um amadurecimento precoce, distúrbios de comportamento, personalidades agressivas e egoístas, ou ainda...doentias ?
Seria reflexo de uma educação repleta de permissividades, as quais não teriam estruturas para administrarem um mundo de valores desconhecidos?
Como incutir em jovens a figura do bem e do mal...do certo ou errado, se seus valores deturpados são incutidos antes mesmo deles terem mentalidade suficiente para realizar uma autoanálise? um julgamento próprio baseia-se em experiências anteriores....
E o que fazer quando não existem bancos de dados suficientes no nosso cérebro, para termos referências do que pode ou não estar correto?
Talvez, estejamos martelando as cabeças das crianças de hoje, com informações com as quais elas ainda não estão preparadas para administrar.
Talvez seja incutimento de valores para os quais eles ainda não teriam anticorpos..Dessa forma, seriam arrebatados facilmente para o lado que quiséssemos.

Acho que um dos maiores problemas mundiais hoje, é a falta de valores, ou a existências de pessoas com valores duvidosos.
Os limites já não são impostos, e de certa forma sem limites, eles não tem como avaliar riscos e consequências.
Como pensar o resultado de um comportamento do qual não tive exemplo nenhum...?
Como falar que é errado uma atitude tomada por influência da Tv, da internet, de amigos, se  ainda não temos um caráter formado com base em valores sólidos?
A permissividade dada às crianças atualmente, expondo-as a conteúdo impróprio, expondo-as a veículos de informação carregados de material manipulador, os quais inteligentementes direcionados abrem brechas específicas da nossa mente, está criando pessoas com falhas gravíssimas de caráter...que infestam o mundo com seus valores deturpados, e recheiam os noticiários com manchetes cada vez mais estarrecedoras...inacreditáveis..do ponto de vista comportamental...da inexistência de limites...do ponto de vista ético moral.
A humanidade já não é a mesma...e percebemos um mundo de pessoas que não medem, não avaliam as consequências dos seus atos.
Ser moderno não é desprover nossas crianças da proteção do seu caráter..Ele ainda em formação precisa do zelo na implantação de bons valores, pelo bom exemplo..
Por que acham que nossos pais não discutiam na frente dos filhos?
Por que tínhamos horários em que nossos pais não permitiam que assistísssemos determinados programas?
Por que a cobrança por bom comportamento e boas notas na escola? Por que éramos agraciados com presentes quando nos comportávamaos de maneira exemplar?
Por que éramos lembrados para organizar nossos brinquedos, conservá-los? Por que todos os nossos desejos de criança não eram prontamente atendidos?
Por que éramos severamente castigados quando incorríamos em falha grave?
Por que....

Ora...Pais modernos...governadores inconsequentes...
Não é muito difícil recuperar uma sociedade perdida...
Basta reformularmos nossa maneira de introduzir as crianças na sociedade, os adolescentes...
Não precisamos voltar à escravidão....mas também não vamos soltar as crianças no meio de uma floresta cheia de armadilhas e animais sedentos como hoje é o mundo...como sempre foi o mundo.

Pensemos mais um pouco....paremos...e decidamos pelo bem do "bem".

Antonio Mello em 15-02-2012.



2 comentários:

  1. É Antonio, a palavra LIMITE teve seu significado deturpado, distorcido e esquecido!!Seu texto nos faz refletir sobre que mundo estamos construindo..que mundo é esse??Me fez lembrar de inúmeros pais que por culpa do trabalho, são excessivamente permissivos na criação de seus filhos, para aliviar a culpa decorrente de sua ausência!Só que não se dão conta que essa permissividade está sendo extremamente nociva para a criança em formação, que precisa, pede, clama, por limite, afinal,limite também é uma forma de demonstrar amor, pois qdo eu coloco limites, eu protejo, ensino, me preocupo com o outro!A falta desse limite é desastrosa!!
    Ótimas reflexões!!
    Um abraço

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  2. Fantástico e questionador como sempre foi, mas sempre humano,demasiadamente humano, sem incorrer nos erros tão criticados pelo velho e bom Nietzsche, doas que querem ter a verdade absoluta, pois ela é sempre uma busca.

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