Desde adolescente,
lá nas terras quentes da Bahia, interior coberto de poeira e de plantas
que disputavam com os seres humanos pela sobrevivência e por uma gota
d'água a mais, eu assistia a crescente onda das igrejas evangélicas...
Muitos
amigos que se convertiam a essas religiões dos novos tempos, igrejas de
todos os tipos e sabores, que se encaixavam como uma luva às
necessidades de permissões divinas para que cada um não abrisse mão de
importantes pilares da sua vida, e dessa forma, pudesse usar seu vestido
curtinho, suas jóias, seus carros, a maquiagem, a farra de fim de
semana nos clubes ou ainda, um gole da sua bebida preferida...tudo
abençoado e permitido pela divindade repartida por igrejas de nomes até
então engraçados..
Assistia a amigos próximos se converterem, e
afastarem-se de nós como se fossemos portadores de uma doença
equivalente a uma peste ou uma gripe ultramodernamente suína,
reivindicando uma nova vida que lhes imputava um novo comportamento, a
ação separatista entre o cordeiro e o lobo.
O tempo não para...e a poeira que um dia varria aquelas nossas ruas de outrora, nos trouxe até hoje.
Todos
aqueles adereços das igrejas, seus dogmas, sua posição de antagonismo
ao catalocismo, ao candoblé, ao budismo,ao espiritismo e etc. Donas da
verdade se sentiam e assim conquistaram milhões de fiéis que depositavam
além de suas esperanças de uma vida justa na promessa do Senhor,
quantias em dinheiro gordas e gentis que se transformaria nesse império
de hoje que são as igrejas protestantes no Brasil e no mundo.
Hoje,
quem se situou à margem da história e viu esse filme passar, sabe da
ilusão cinematográfica e de como pastores e igrejas dos últimos dias
arrastam multidões para o precipício, para o fundo do poço financeiro
arrancando-lhes moeda corrente e preciosa em espécie ou com maquininhas
de cartão de débito e crédito circulando entre as fileiras das outroras
santas igrejas, para o fundo do poço social por torná-los um mundo à
parte, negando o sangue salvador ao próprio sangue, fundo do poço
ideológico distorcendo a interpretação da já distorcida escritura
sagrada.
Mundo de zumbis teleguiados por ilusionismo de
desobsessões, de falsas profecias, de ataque desvairado ao mundo cão e
seu idolatrismo, esquecem dos valores mais básicos da conduta humana e
onde não é preciso que nenhuma religião nos lembre a simples vontade
divina :
“amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” (Jo 15, 12).
Antonio Mello - 29-01-2012.
Disse tudo que eu sempre quis, adorei!!Respeito todas as religiões, mas essas que se utilizam do desespero e ingenuidade das pessoas para arrecadarem fortunas, essas eu não considero nem religião, não tem como respeitar!!
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