Mais um dia cansativo...o retorno ao lar é uma aventura digna dos filmes de holywood. Tudo conspira para tornar este objetivo numa missão quase impossível nos dias atuais...
Entalados e enveredados no trânsito compostos por centenas...milhares de pessoas controlando sua máquina mortífera, estamos todos os dias.
Nosso pensamento divaga abstraidamente ouvindo uma música que reflete nosso estado de espírito. Ao lado um assalto à mão armada torna o dia comum e algo que já se integrou à paisagem urbana. Mais uma vez o crime saboreia a sua vitória enbebedendo-se do sangue da sua vítima...mais um pai de família...uma mãe batalhadora...um adolescente promissor ou ainda um ancião desavisado e desprotegido sendo destituído da sua riqueza maior...para muitos o dinheiro, para poucos a vida.
Tão muda é a voz daquela vítima...ela jamais terá seu direito de defesa após um tiro certeiro, um golpe fatal ou uma violenta invasão da sua integridade física e psíquica.
O malfeitor segue dilacerando a vida, ceifando a paz, espalhando o terror dentre os bons de coração. As autoridades pasmas, inertes e ineficientes tornam o fato apenas mais um dado estatístico e a mídia se deleita em expor a crueza...se compraz em obter aquele depoimento exclusivo e doído e que não carrega nenhum ineditismo....a mídia simplesmente escarnece de uma forma profissional a infelicidade do ser humano que foi assolado pelo azar de cruzar um deliquente.
Os motivos....? Os motivos são tão variados e na verdade tão desconhecidos por serem constituído de algo fora da lógica comum, foram do senso comum e que se confundem por não existir motivos que justifiquem a amplidão das consequencias.
A sociedade se preocupa e lamenta por que alguma correntes pregam ser ela a mãe que gera os monstros que se voltam contra sua genitora...revoltados por sua condição social, imersos no mal e nas viagens embaladas pelo consumo de entorpecentes cedidos gentilmente pelos abutres de plantão.
Ganância dos dias atuais, ímpetos exaltados pelo doce sabor da conquista, do dinheiro, da riqueza. Junta-se a isso a manipulação de grupos políticos, a imprensa e a mídia que tornam o consumismo algo enobrecedor. Se vende de tudo e tudo que se consumir pode te trazer sucesso ante o sexo oposto e torná-lo uma celebridade desejada, feliz com um simples gole de um fermentado dourado...ou um destilado...
A decepção por não fazer parte desse contexto leva as mentes doentes a atacarem seus supostos oponentes...aqueles que realmente tem uma felicidade assentada em bases firmes.
Mentecaptos tornam o simples ato de viver nas grandes cidades uma aventura, o que se estende na atualidade a qualquer rincão desse mundo globalizado...e, enconder-se já não é possível se precisamos ser sociáveis.
A banalidade vista nos crimes, nas atitudes impensadas e nas reações violentas das pessoas, também representa a destruição dos valores básicos, dos valores morais e éticos....mérito e prêmio para grupos partidários...variantes do marxismo...
O respeito à vida já não resiste e nem reside nàquela mente transtornada, imbuída de loucura, de insanidade.
Isso tem se tornado uma constante e o mal dilacera as vidas com uma intensidade jamais imaginada, com uma crueldade nunca antes prevista.
A sociedade se mobiliza, redes sociais, grupos ativistas, religiosos e os nossos vizinhos mais próximos.
Nosso coração, nossa família, nossos amigos... se consternam por aquela pessoa que foi brutalmente violentada, por aquela outra que teve sua vida bestialmente ceifada, por aquela velhinha enganada e roubada, por uma criança estuprada e por tantas atrocidades que vemos e ouvimos em uma definição mais que fiel.
Nem percebemos que o ardor daquela mágoa, aquele sentimento...está tornando nosso ser mais duro, terrivelmente implacável, visualizando uma vingança, um acerto de contas contra qualquer sinônimo daquilo que por um acaso ameaçe aparecer em nossa frente.
Às vezes o desejo de ser um justiceiro de habilidades mortais nos assombra à mente....e nem percebemos que o mal assola...invade nossas veias como células cancerígenas provindas de um tumor maligno.
O mal corre nas veias...e o bem cede seu lugar a uma declarada e violenta filosofia de justiça, de plenitude no julgamento do certo e do errado. Somos advogados e juízes, condenamos e punimos...ao menos limpamos o mundo, aliviamos a dor das pessoas, pensamos assim...
Até onde ir..? Até onde sabemos os limites da real justiça, e como cobrar a aplicação dela?
O que fazer como um ser humano louco insandecido que destruiu a vida de alguém e às vezes destruiu várias vidas?
Que pena aplicar para um crime bárbaro que não tem dimensões, que não é mensurável ?..Nada pode ser medido quando se perturba uma alma, quando injustificadamente se envia um espírito para uma mar de escuridão chamado morte de uma forma inesperada e traumática...
Somos donos do nosso pensamento. Talvez eles precisem melhorar, tornar-se mais positivo e assim transformar tudo em um mundo mais belo...
Precisamos fazer isso sim...antes que um projétil...um golpe ou um objeto vindo do nada possa desfalecer nosso espírito...lançados por uma mente doentia criada nas entranhas de uma sociedade hipócrita e egoísta e sem direção...
Porque caminhamos para o fim, a passos largos e destemidos...e precisamos reverter essa enfermidade que se alastra pelo universo povoado...como uma faísca num rastilho de pólvora que leva a um gigantesco barril de destruição.
Antonio Mello - 11-05-2013.